O Conceito de Literatura nacional e a Identidade Cultural
27 Abril, 2009
Recentemente, vários têm sido os estudos que procuram esclarecer o conceito de literatura nacional e cujos títulos permitem sintetizar algumas das principais questões que ele levanta: Qu’ est-ce qu’ une Iitterature nationale? , (Jacques Beyrie, 1994), Building a National Literature (Peter Uwe Hohendahl, 1989) e Literature as National Institution (Vassilis Lambropoulos, 1988) são alguns dos exemplos mais significativos, consagrados respectivamente a institucionalização da literatura espanhola, alemã e grega, Com efeito, trata-se de um fenômeno histórico que se inicia em meados do século XVIII, pois ate então a actividade poética e as designadas belas-letras estavam vinculadas a uma perspectiva universal e globalizante, – A cultura humanista do homem cosmopolita dava agora lugar ao homem nacional, comprometendo 0 ideal da Republica das Letras, que emerge no Renascimento e no Humanismo e se desenvolve na época das Luzes, – A literatura comparada surgiu como uma reação a este insulamento, para recompor a unidade perdida da Republica das Letras, que Goethe projectou numa futura literatura mundial.
É com os românticos que se dá a fractura da unidade atemporal e universal da literatura clássica, que se alicerçava no prestigio das obras- -primas dos autores modelares da cultura greco-latina e na idéia de que o homem, a razão, o gosto e o belo se mantinham imutáveis e invariáveis ao longo do tempo anos e diferentes espaços, A “Querela dos Antigos e Modernos” pôs termo á consciência da superioridade dos Antigos e colocou no primeiro plano a relatividade histórica e a diversidade, para não dizer a diferença, da literatura, de acordo com o tempo e 0 espaço da sua produção. A literatura saía da sua dimensão atemporal e dava entrada no palco da história. Como sublinha Aguiar e Silva, a partir das ultimas três décadas do século XVIII, “Do significado de corpus em geral de textos literários, passou compreensivelmente o lexema literatura a significar também o conjunto da produção literária de um determinado país, tornando-se óbvias as implicações filosófico – políticas de tal conceito de literatura nacional’ ( … ): cada pais possuiria uma literatura que seria expressão do espírito nacional e que constituiria, por conseguinte, um dos factores relevantes a ter em conta para se definir a natureza de cada nação.” (1988: 7).
Na realidade, no conceito de literatura nacional enfeixam-se elementos pertencentes a áreas discursivas diferentes e resultantes de uma conjunctura histórica inovadora, pois o nascimento e afirmação do pensamento histórico articula-se fortemente com a emergência do Estado- -nação moderno, a difusão dos ideais da Revolução Francesa e a concepção romântica da literatura, que associa a pátria a língua e a cultura nacionais. Em termos genéricos, a literatura nacional é um produto do nacionalismo cultural do século XIX. No âmbito da sua Teoria dos Polissistemas, Itamar Even – Zohar concluiu que “La funcion de la literatura en la creacion de las naciones de Europa” consistiu precisamente na criação uma coesão sociocultural, mediante a vinculação de uma língua e literatura especificas, com o seu canone próprio, a identidade cultural de uma nação, e que induz a um certo sentimento de solidariedade e disponibilidade colectivas (1994: 357-77).
Esta concepção histórica e nacional da literatura resulta da idéia schlegeriana, bebida em Vico e Herder, de que a diferenciação nacional acarreta necessariamente a diferenciação estética, pois F. Shlegel considera a literatura como manifestação do espírito dos povos. Nesta linha, Almeida Garrett legitima a literatura nacional como tradição autónoma que, a par das artes, constitui “O espírito, a alma, o in ipso vivimus et sumus de uma nação.” (1963: 1739). O Volksgeist apresenta-se como uma força vital própria, um a priori que exerce uma auto legitimação. Por outro lado, a literatura nacional aparece caracterizada como um conjunto de documentos que reflectem esse “espírito popular”: “Nenhuma coisa pode ser nacional se não é popular.” (id..1745). O termo literatura designava então, nas palavras de Friedrich Schlegel, toda a vida intelectual de uma nação, isto e, todas as artes e as ciências da palavra, escrita ou oral, de um povo (F. Schlegel, 1829: 14).
Porque crê que “L’ esprit et Ie langage sont tellement indivisibles, la pensee et la parole sont essentielment un” (id.: 11), não lhe e difícil concluir que a literatura constitui o retrato de uma nação, que considera espiritual e civilizada quando apresenta uma poesia e tradição nacionais, a par de uma historia rica de factos (id.: 18) 1. A partir daqui, a literatura e a identidade nacional tornam-se indissociáveis e tal imbricação da literatura e mais forte devido a este conceito amplo (extensivo) de literatura, que perdura ainda nos inícios deste século. Teófilo Braga refere que “As manifesta<;6es mais completas da linguagem, na sua forma escrita, constituem a Literatura, tornando-se assim um órgão de desenvolvimento social, um estimulo e apoio da independência nacional." (1984: 89). Deste modo, literatura englobava, por exemplo, a historiografia e a filosofia, sendo equivalente do que hoje designamos como cultura nacional e que Teófilo Braga, a maneira romântica, designava como expressão do espírito nacional, manifestando as suas características especifica: "A Literatura é uma síntese [afectiva] completa, o quadro do estado moral de uma nacionalidade representando os aspectos da sua evolução secular e histórica." (id.:63) 2.
Como conseqüência da crençaa na capacidade criadora das raças autoctones, Sismondi, os irmãos Schlegel e Madame de Stael introduzem a geografia e a etnologia na critica literária, acentuando 0 aspecto climático, rácico, religioso e, por conseqüência, a vinculação da literatura á época e á sociedade em que e produzida. Em De la litterature consideree dans ses rapports avec les institutions sociales, de 1800, M.me de Stael propõe "examiner qu' elle est I' influence de la religion, des moeurs ET des lois sur la litterature" e vice-versa, estimando não se ter ainda "suffisamment analyse les causes morales et politiques, qui modifient I' esprit de la litterature." (1991: 65). Neste contexto, predomina já uma concepção sócio-ideológica da literatura, que Garrett perfilha na Memoria ao Conservatorio Real: "Esta continua e recíproca influencia da literatura sobre a sociedade, e da sociedade sobre a literatura, e um dos fenómenos mais dignos da observação do filósofo e do político." (1966: 1144).
A crença de que a literatura reflecte a vida da nal;30 faz os romanticos concederem prioridade a um critério genético e orgânico na observação das obras literárias, ou seja, o mais importante não era já a forma, mas o conteúdo e a sua relação com o meio e a cultura em que se haviam gerado e que reflectiam. Assim, se para os clássicos o mais importante era a imitação dos modelos considerados perfeitos e a observância das regras invariáveis da sua poética, para os românticos a imitação era sinal de inautenticidade existencial. Cada obra devia reflectir aquilo que cada individuo ou não tinham de particular e por isso tinha de ser original, isto e, fiel a sua origem, a sua natureza, ao espírito nacional. Para August Schlegel, se predomina a forma mecânica e exterior nos c1assicos, sem relação com a essência da própria obra, "La forme organique, au contraire, est innee avec Ie sujet, elle passe pour ainsi dire du dedans au dehors, et n' atteint sa perfection que par Ie devellopement entier du germe dans lequel elle reside." O mesmo se passa, diz, na natureza, com os minerais e plantas, e assim e nas belas artes (1971, t. II: 131). Teófilo Braga também segue esta oposição, estabelecida no âmbito da transição da história natural para a biologia, em finais do sec. XVIII, entre o orgânico ou vivo, "aquilo que produz, crescendo e reproduzindo-se", e o inorgânico ou não vivo, "que não se desenvolve nem se reproduz". Nesta base, para Te6filo, como para os irmãos Schlegel, a literatura grega impõe - se como modelo de organicidade e originalidade, ao passo que a literatura romana se perde na imitação inorgânica (1984: 65).
August Schlegel considera nacionais e originais o teatro inglês e espanhol, porque não imitaram nenhum modelo e se produziram a si mesmos, porque pertencem inteiramente ao seu génio, considerando a originalidade dos trabalhos intelectuais um fenómeno sempre raro (1 971 , t. II: 127-130). Assim, numa perspectiva mais vasta, elabora a celebre contraposição, que Madame de Stel se encarregaria de divulgar, entre Classicismo (pagão, sensual, cívico, racional; literatura das classes cultas) e Romantismo (poesia eterna dos povos, tradições e inspiração popular, ligada ao cristianismo medieval), e da ênfase ao espírito nacional, dependente da raça e das tradições. Consolida assim a teoria do génio da raça, de matriz romântica, continuada no positivismo. O período medieval, efervescendo de transformações, e visto como um todo orgânico.
Garrett fala, a propósito da poesia medieval, de "coincidência de tom entre a sociedade e a poesia do tempo" (1966: 685). De igual modo, Teófilo Braga afirma que na Idade Media, "A intima relação entre a tradição nacional e a interpretação artística e o que sem abstrações metafísicas constitui o Belo." (1872: 39) 3.
O Romantismo opõe o romanismo e a cultura tradicional ás nacionalidades e ao génio popular. Almeida Garrett aplica, pela primeira vez, esta concepção á história da literatura portuguesa, que para ele se resume num confronto entre duas tradições, entre a lira e o alaúde, que simbolizam a literatura c1assica e a literatura popular (4). 0 Romantismo constitui a revolução que liberta a poesia popular das seculares opressões da literatura clássica e culta, de tal modo que Garrett declara que a "reacção vulgarmente chamada romantica, ( ...) não fez mais do que trazer a renascença da poesia nacional e popular." (1963: 1745), anunciando o triunfo final da literatura popular na época romântica. Mas e sobretudo Teófilo Braga que sistematiza esta concepção, que expõe na sua Teoria da História da Literatura Portuguesa (1872): só a raça era criadora e as tradições intrusas seriam antinacionais . Segue pois o programa histórico elaborado por F. Schlegel, segundo o qual as literaturas modernas "oscilam neste dualismo, entre os elementos orgânicos tradicionais e populares, e os modelos clássicos segundo a influencia erudita dominante." (1984: 66).
Modelado ainda pela filosofia da história de Hegel e pela visão da Idade Media formulada por Alexandre Herculano na sua História de Portugal (6), Teófilo Braga faz da raça um elemento prosopopaico, em luta constante com o classicismo e influencias desnacionalizadoras, como o castelhanismo, com fases em que a raça revivesce, acorda, etc., tentando manter a sua vitalidade orgânica. Para Teófilo, na Idade Media travara-se o combate entre as raças originais e as tradições clássicas, o Renascimento e os séculos XVII e XVIII representavam o triunfo do espírito clássico, mas o século XIX, colocando as nacionalidades no primeiro plano, acordava de novo o génio das raças.
A contrução da literatura nacional implicava pois a pesquisa e inventariação da poesia nacional, que Garrett reunira no Romanceiro como documento da história da poesia popular (1963: 1744), que permitia descobrir a génese da nossa literatura, "as nossas primitivas fontes poéticas" (1966: 682), pois para Garrett "o tom e o espírito verdadeiro português esse é forçoso estudá-lo no grande livro nacional, que é o povo e as suas tradições " (ibid.). Mas e n' as Lusíadas, uma epopéia clássica, que Garrett vê uma espécie de primeiro romanceiro português, a sombra da hipótese adoptada pelos românticos, segundo a qual a epopéia tem uma génese social, reflectindo o ambiente lendário e mítico de uma idade heróica nacional, sendo o seu autor um rapsodo ou recolector (7), pelo que Camões, "o nosso Homero português deu ao seu poema o cunho e o caracter de epopeia nacional quando nele reuníu todas as nossas mais queridas memórias e recordações antigas (. .. ). Juntou todas as rapsódias do romance português, e fez a íliada dos Lusitanos. Inês de Castro entrou no quadro como ele a achou nas tradições populares, e nas crónicas velhas, que pouco mais eram do que as tradições populares, escritas" (id.: 1141). Esta interpretação romântica de Camões, aliada a romantização da sua vida, tera notável continuidade em Teófilo Braga e em Fidelino de Figueiredo (8) e fez de Camões o símbolo por excelência da identidade nacional, consagrado como tal nas celebrações nacionais que se iniciaram em 1880, com o tricentenário da morte de Camões, que Teófilo considerava a figura mais representativa do génio nacional, a síntese do caracter português (1984:307-8).
Embora voltado para o passado, Garrett tem, sobretudo a finalidade de "popularizar o estudo da nossa literatura primitiva", para assim "dirigir a revolução literária que se declarou no Pais, mostrando aos novos engenhos que estão em suas fileiras os tipos verdadeiros da nacionalidade que procuram, e que em nós mesmos, não entre os modelos estrangeiros, se devem encontrar." (1966: 679); "vamos a ser nós mesmos, vamos a ver por nós, a tirar de nós, a copiar de nossa natureza" (1966: 681). Assim, a sua ação nacionalista tem o duplo caracter de revolução e de restauração da independência, de reação e de expulsão, de renascimento e combate.
Teófilo Braga continuou o esforço de coletânea da poesia popular no Romanceiro, e Leite de Vasconcelos, como muitos outros, continuou esse trabalho e sobretudo a partir desta imbricação da literatura na história da nação que se ancorara em grande parte a visão histórica da literatura portuguesa, quer sob a alçada positivista, quer sob os moldes idealistas, desde Teófilo Braga ao Neogarretismo, desde o Saudosismo ao Integralismo Lusitano. No entanto, só na fase dos Cancioneiros, descobertos e estudados na sua maioria desdeo0 ultimo quartel do século XIX, e que esta concepção etnológica da literatura portuguesa foi revista, na medida em que se constatou que a literatura culta e européia tinha modelado a tradição nacional, mas, como observa Carolina Michaelis, "todas as literaturas românicas estiveram expostas ás mesmas influencias e correntes ocidentais, tomando aproximadamente igual evolução" (1900: 229). Em 1909, Teófilo Braga, mantendo as suas teses, refere que a literatura se revela um "produto do ethos da raça, do sentimento da nacionalidade e da consciência histórica", mas afirma que é solidaria com as literaturas românicas, segundo a hegemonia de cada uma delas" (1984: 62).
Deste modo, ao mesmo tempo que a cultura se nacionaliza e politiza, literatura torna-se parte constitutiva da cultura nacional e coloca-se ao serviço da pátria. A escrita literária e o seu estudo tornam-se mesmo um acto patriótico. F. Shlegel, que pretende julgar as literaturas nacionais segundo o seu mérito e dignidade, considera que elas devem dar conta das ações grandiosas do seu povo (1829: 15) e ao mesmo tempo são a medida e a prova da capacidade intelectual da civilização a que pertencem (id.: 179).
Já o seu irmão, August Schlegel, afirmava que no teatro "on voit I' etat actuel, moral et social, d' une nation, Ie resultat de ses efforts pendant des siécles, se manifester en peu d' heures a nos yeux." (1971, t. I: 70). Em Portugal, Freire de Carvalho, no intitulado Primeiro Ensaio sobre Historia Literária de Portugal, desde a sua mais remota origem ate ao presente tempo, (1845; escrito em 1814), declara que este trabalho foi "emprehendido para honra da Nação Portuguesa" (id: 6) para obviar ao esquecimento e desleixo "em que via jazer com grande dissabor seu esta parte tão importante e tão rica da nossa Historia, quando outras nações", que fazem "valer os seus títulos de honrada reputação, possuíam já há muito as suas Historias litterarias" (id.: 8), levantando assim aos seus engenhos e talentos "um padrão mais honroso, do que os lavrados para immortalizarem ações guerreiras", "e mais durável é e permanente, do que se fosse construído de mármore e de bronzes" (1845: 8-9). Os estudos literários modernos, dominados pelo discurso da historia literária, deram entrada nas Universidades e posteriormente no ensino secundário sob o signo deste conceito romântico de literatura nacional, articulando-se na sua génese e evolução com o conceito de identidade nacional, com os seus compromissos ideológicos com os estados modernos, modelizando a "consciência da identidade nacional" nos planos ideológico, ético, cívico e moral (9) Garrett, mais do que colector de literatura oral e popular, mais do que pesquisador das origens da nossa literatura, impulsionou e catalizou os escritores para a questão da identidade nacional, para as nossas coisas, o que se reflectira de um modo geral em toda a pesquisa sobre o ser português que se lhe seguiu: "e sob a pluma de Garrett que pela primeira vez, e a fundo, Portugal se interroga, ou melhor, que Portugal se converte em permanente interpelação para todos nós."(Lourenc;o, 1978: 89), sendo "a motivação mais radical e funda (pelo que significa como ruptura) de toda ou quase toda a grande literatura portuguesa do século XIX" (id.: 86), pois "Portugal, enquanto realidade histórico - moral, constituira o núcleo da pulsão literária determinante." (id.: 87). Garrett e Herculano colocaram em primeiro plano os valores da cultura nacional: a mitologia nacional, o amor da pátria, a renascença a da poesia nacional e popular, o estudo das primitivas fontes poéticas onde pensam encontrar a fisionomia do povo e das suas tradições
Na génese do conceito de literatura nacional encontram-se também as mutações políticas, sociais e ideológicas operadas pela divulgação dos ideais da Revolução Francesa, fundadores do nacionalismo moderno: O conceito de nação, a emergência do liberalismo, a ascensão da burguesia e o triunfo da idéia de cidadania individual. Ora, como afirma Eduardo Lourenço, o escritor liberal, enquanto cidadão chamado a participar na vida política, torna-se responsável e figura da Pátria - Nação, cabendo-Ihe assumi-Ia e eventualmente modificá - Ia, e "cada um se sentira profeta ou mesmo messias de destinos pátrios, vividos e concebidos como revelação, manifestação e culto das respectivas almas nacianais.", surgindo uma linhagem de "Ulisses intelectuais em busca de uma pátria" (1978: 88). A articulação do escritor com o Estado nacional moderno, em vias de constituição ou consolidação revela-se importante, através do conceito de representatividade: O escritor representa o nacional e o que os escritores representavam era mais importante que o objecto literário ou o saber-se 0 que significava literatura nessa época (Costa-Lima, 1993: 25). Teófilo Braga valoriza "a relação psicológica das emoções populares com as manifestações concebidas pelos genios artísticos" (1984: 63) e concebe a literatura como expressão da sociedade, o génio artístico como representante e tradutor da consciência colectiva e a história literária como reflexo da historiografia geral, da marcha da civilização. A Literatura processa a síntese afectiva dos povos pela mediação do escritor individual, a sede onde se opera a expressão sintética da emoção comum, da tradição nacional, "reflectindo a marcha da corrente histórica.
“Os maiores génios são os que mais profundamente representam uma civilização.” (id.: 126). A teoria romântica do herói e dos grandes homens consagra a aura do escritor, o que os positivistas confirmarão com as comemorações cívicas. Tanto na via romântica como na positivista/determinista, predomina uma concepção organicista da nação, em que o indivíduo se dissolve numa força colectiva superior: nação, estado, religião, raça e tradição. O escritor era o porta-voz heróico dessa alma colectiva (10).
Na ruptura histórica da Revolução Francesa e nas diversas revoluções liberais, ha naturalmente uma convergência entre o discurso nacional e o discurso social, que engloba a literatura enquanto forma de cultura nacional, mas a clivagem e a cisão progressiva destes discursos verifica- - se devido aos conflitos ideológicos que emergem no século XIX, com a ressurgência dum pensamento de direita, que se apropria do discurso nacional na luta contra os movimentos revolucionários, que assumem o discurso social. Estes discursos políticos exerceram uma forte influência, tanto a nível da idéia de literatura nacional, como da idéia de nação e pátria (Matvejevic, 1991: 31-2) (11), mas a literatura também modelou a nossa imagem. Ora, como observa Nuno Júdice, "O tema da nação, em Portugal, esta viciado por um século de leituras a preto e branco, em que Nação funcionou como o pólo catártico de exaltações alternadamente positivas e negativas, conotadas ora com a direita ora com a esquerda." (Júdice, 1996: 323) (12)
Assim, não e difícil constatar a forte articulação entre o projecto garrettiano e a ideologia política liberal, que defendia uma constituição política estabelecida sobre bases populares, e por isso Garrett considerava premente educar o povo, no sentido de formá-lo na cidadania.
A intenção de democratizar a nova revolução literária esta já bem presente na Memória ao Conservatório Real : O literato ou poeta tem como missão ministrar "pelas nações um ensino fácil, uma instrução intelectual e moral, que (...) surpreenda os ânimos e os corações da multidão, no meio dos seus próprios passatempos" (1966: 1086); "Este é um século democrático, tudo o que se fizer há - de ser pelo povo e com o povo ... ou não se faz." (id.: 1086-7). Também Teófilo recorreu a imagem herculaniana da Idade Media, dando-Ihe uma continuidade intermitente ate ao presente, de modo a enfatizar a descentralização municipal, as tradições democráticas das cortes seiscentistas e do vintismo e as especificidades étnicas, a fim de legitimar com o prestigio da tradição a republica democrática e o federalismo de base etnológica (13)
Na linha da primeira geração romântica, embora com motivações ideológicas nem sempre coincidentes, pode considerar-se o nacionalismo dos neogarretistas, o integralismo e o saudosismo, e, noutra perspectiva, a Geração de 70 e o grupo da Seara Nova. A documentar um século dessa busca, a partir da Geração de 70, esta o longo estudo de Antonio Quadros A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos 100 Anos (1989).
Na busca da identidade nacional encontramos uma perspectiva cultural que indaga a nação como personalidade colectiva e uma perspectiva que parte da nossa historia literária para caracterizar a literatura portuguesa e a partir dela definir a nossa identidade cultural, como se observa, v.g. nos trabalhos de Jacinto do Prado Coelho: A literatura portuguesa, expressão duma cultura nacional (1970); Originalidade da literatura portuguesa (1977). Destacam-se ainda os que procuram definir as características da literatura portuguesa, como João de Barros, Carolina Michaelis, Aubrey Bell, Fidelino de Figueiredo e Antonio Salgado Junior.
Como conseqüência do sentimento geral de decadência, particularmente marcado pela Geração de 70, e acentuado depois do Ultimatum, a nossa identidade cultural foi alvo de constante interrogação
inquieta, levando na viragem do século a uma busca d' "o espírito da cultura portuguesa", na procura d' "os valores por que valeria a pena lutar."(Belchior, 1980: 1OS). Deste modo, "0 ser e 0 destino de Portugal como horizonte de aventura literária converter-se-iam nos finais do século em autentica obsessão." (Lourenço, 1978: 105). Alias, de um modo geral, nessa consciência da decadência que vem de meados do século XVI e se destaca com o Romantismo, revela-se "uma das características da nossa cultura: a constante interrogação sobre o ser português, a missão de Povo talvez predestinado, um constante balancear entre grandeza e declínio, sonho e quotidiano, passado e futuro." (Pires, 1980: 315). A este nível mais amplo e numa perspectiva cultural, uma longa linhagem de intelectuais procura caracterizar a personalidade cultural do povo português, ora em termos histórico-culturais, ora em termos mitico simbólicos, como Jorge Dias, Orlando Ribeiro, Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, António Sergio, Joaquim de Carvalho, Agostinho da Silva, João de Castro Osório, Álvaro Ribeiro, Jorge de Sena, Francisco da Cunha Leão, Hernani Cidade, António Jose Saraiva, Joel Serrão e Jose Mattoso. Todos procuram, no fundo, como no titulo de um estudo de Ant6nio Jose Saraiva, "Algumas Feições persistentes da Personalidade Cultural Portuguesa" (1996: 75-107).
Reflectimos sobre alguns pressupostos e conseqüências do conceito de literatura nacional. E embora normalmente não os pensemos, sem eles não nos poderíamos pensar.
NOTAS
(1 )- Claudio Guillen refere um conjunto de autores que contribuíram para divulgar a idéia da existência de um caracter nacional de cada povo, entre os quais Voltaire, no preâmbulo do Essai sur la poesie epique (1723), intitulado “Des differents gouts des peuples” (1985: 41).
(2)- A título exemplificativo, Margarida Vieira Mendes (1980), ao estudar 0 conceito de poesia nos
prefácios das obras poéticas publicadas em Portugal entre 1860 e 1890, conclui que uma das principais equações e a da articulação entre poesia e literatura geral com a nacionalidade, com inspiração nas teses de Madame de Stael e dos irmãos Schlegel: “Confundiam-se no imaginário dos escritores as series poética, ideológica e Iteraria.” (p. 84).
(3)- Era uma época em que, segundo Garrett, “Todos os elementos da sociedade, unidos assim por simpatias comuns, tendiam simultaneamente a aperfei90ar-se, temperando-se uns aos outros peia própria ação e reação de suas forças. (1966: 684), “Foi a Primavera do espírito, a estação da florescência da alma.” (ibid.), e nessa época a cavalaria e a poesia “nasceram juntas, mutuamente se explicam e definem” (id: 685).
(4)- “Quem não tem olhado senão a superfície da nossa literatura, ( ) cego do brilho c1assico (… ) – nao crê, não suspeita, há – de ficar maravilhado de ouvir dizer ( ) que ao pé, por baixo dessa aristocracia de poetas, que nem a viam talvez, andav3, cantava, e nem com o desprezo morria, outra literatura que era a verdadeira nacional, a popular, a vencida, a tiranizada por esses invasores gregos e romanos, C.. ,) resistia na servidão com aquela força de inércia com que uma raça vencida resiste a igual empenho de seus conquistadores que lhe usurpam a dominação, e que, séculos e séculos depois (… ) reagem fortes C.. ) e estripam muitas vezes, mas geralmente se contentam de avassalar, os seus antigos opressores.” (1963: 1744-5).
(5)- Em 1896, porem, reformula em parte uma afirmação tão radical, mas mantém que as literaturas românicas se formaram “como observaram Frederico Schlegel e Comte, na luta do espírito novo elaborando as tradições medievais nos rudes dialectos que se hão de tomar línguas nacionais, reagindo contra o prestigio das obras clássicas da antiguidade impostas a imitação pelos eruditos e pela admiração incondicional dos monumentos antigos.” (1896: 5).
(6)-Teófilo Braga baseia-se no Hegel que em 1830 centrou a sua filosofia da história nas lutas da liberdade contra a autoridade e que caracterizava a civiliza9ao greco-romana pelo equilíbrio destas duas forças, ao passo que o predomínio da liberdade e do individualismo caracterizava a civilizações germânica. Na Estética, opunha o Romanceiro popular europeu ás obras – primas da antiguidade c1assica. Herculano aplica parcialmente a História de Portugal esta filosofia da história, ao mesmo tempo que abalava a crença no mito da eleição étnica que até então presidia a nossa historia. Herculano traz a uma visão da nossa história marcada pelo volksgeist romântico: desde a génese da nacionalidade ate ao século XV floresceu o espírito popular num ambiente de liberdade (concelhos, celulas populares), sendo depois abafado por imposições que se lhe opõem: a monarquia absoluta, o clero/Inquisição e a mercantilização causada pelos descobrimentos. Estamos obviamente perante as causas da decadência que Antero consagrara e diante da linha histórica que Teófilo aplicara a evolução da literatura portuguesa, vendo em todos os momentos e lugares uma poesia popular sucumbindo a poesia cortes e as influencias externas.
(7)- nestes termos que Garrett se refere, alias, aos poemas homéricos e outros poemas antigos: “E por isto nos mais antigos se duvida ainda hoje de seu verdadeiro autor, que alguns não querem que seja senão colector, como o nome de rapsódias, dado aos contos, parece inculcar.” (1966: 1141).Alias, para Garrett, “este é o caracter da sua [Camões] epopéia e de todas as verdadeiras epopéias; fixam as crenças e a história maravilhosa de uma nação, são elas mesmas parte consubstancia!, típica e quase hieratica dessa nacionalidade que consagraram pela religião da poesia.” (1966: 1141). Segundo Garrett, a Europa lê os Lusíadas “pelo que ali ha de poesia original, pr6pria, primitiva: porquanto, era o Camões poeta tão português na alma, ( … ) os mesmos sons clássicos se lhe repassavam debaixo dos dedos naquela sincera e maviosa melodia popular que respira das nossas crenças nacionais, da nossa Fe religiosa, do nosso fanático – e inda bem que fanático ! – patriotismo da nossa historia, meio historia, meio fabula dos tempos heróicos. Dominou-o, mas não pode pervertê-lo a escola do seu tempo.” (1966: 681). Deste modo, “Camões populariza o gênero c1assico repassando-o, quanta era possível, do gosto nacional.”(id.: 689). August Schlegel afirma essa prioridade do critério genético ao referir-se a Tasso e a Camões: “Ce ne sont assurement pas des rapports imparfaits avec Homere ou Virgile, qui ont fait vivre jusqu’ a nos jours, dans Ie souvenir et dans les chants de leurs compatriotes, les strophes hero’iques du Tasse et du Camoens: (… ) c’ est, chez Ie Camoens, I’ ardente inspiration de I’ hero’isme national.” ( 1971: 37). E também notória a apologia da tese rapsódia em Friedrich Schlegel (1829: 24-33). Para Renan, as obras mais sublimes sao as que a humanidade faz colectivamente e os gênios são meros redactores das inspirações populares.
(8)- Tambem a leitura de Teófilo transforma o [poeta épico num rapsodo (1984: 159) que, “sob 0 o influxo da Renascença, soube aliar o entusiasmo pelas obras-primas da civilização greco-romana com o sentimento nacional” (id.: 126), “pela intuição genial de todos os elementos tradicionais e lendários da história portuguesa” (id.: 121).
Fidelino de Figueiredo, em A Epica Portuguesa no Seculo XVI, aproxima-se desta tese: “Epopea e a glosa poética de um mytho heróico, e portanto a coroação individual da obra coletiva pelo poder de expressão do poeta.” (1987: 347). E Hernani Cidade não deixou de considerar ” ‘Os Lusíadas’ como sintese da vida espiritual de Quinhentos” (1957: 104-6).
(9)- A historia literária, em dependência da historia geral, parece nacionalizar a literatura – encarando o texto literario como “documenta” – como se depreende da expressão paradigmática de Gustave Lansan:
“Nous ne travaillons pas seulement pour la verite ni pour I’ humanite: nous travaillons pour la patrie.” (1965: 56). No entanto, o caráter nacional de uma obra supre a carência do literário, mas não o contrario: “Literature had to be national, or be nothing at all.” (Lambropoulos, 1988: 10). Mas foi por esta mesma razao que Vassilis Lambropoulos, dedicando-se a literatura grega moderna, visa denunciar a “falacia nacionalista” inerente á critica literária grega desde meados do sec. XVIII, etnocentrica, que preserva as fantasias nacionalistas, ao ser vivo do moderno estado grego, o que se torna visível na interpretação das grandes obras artísticas e presente nos conceitos modernos de tradivao, cultura, arte e literatura: “every literature is national and every criticism ethnocentric.” (1988: 21).
Este poder histórico e simbólico da nação, como elemento de legitimação permite a mobilização de vontades como “historia monumental”, na expressão de Nietzsche, em continuidade com o tópico da histori,.. magistra vitae, agora ao serviço dos projectos da nação, ministrada no sistema escolar como disciplina de formação moral e patriótica. Torquato Gomes, um positivista ortodoxo, em “Função educativa das disciplinas do ensino secundário” (ed. do autor, Lisboa, sid), defende que pelas disciplinas de Geografia, Historia e Português se deve inculcar na juventude uma “Religião da Pátria”. Atendendo as sucessivas reformas de ensino que se produziram em Portugal, com as suas motivações político-ideológicas, a literatura nacional, com o seu cânone literário dos grandes autores: foi um forte instrumento de socialização e formação dos jovens cidadãos segundo a imagem oficial da nação. Com efeito, uma analise dos programas e manuais do ensino secundário desde 1895 a 1974 revela-nos um crescente acentuar do nacionalismo e patriotismo na formação escolar.
(10)- Taine reforça esta correlação, ao considerar que o meio, a raça e o momenta histórico determinam o escritor e a sua obra. Antero de Quental, em 1872, na Filosofia Literaria Portuguesa, começa por analisar a mudança dos últimos cem anos no que respeita a concepção da obra de arte, que de criação individual e sentimental do génio passou a ser considerada na “relação estreita que há entre a inspiração do individuo e 0 pensamento da época, a raça, o meio social e o momento histórico.”
(11)- Estas imagens centram-se desde então na ideologia da decadência, que resulta, desde o liberalismo, da verificação do atraso da Península Ibérica relativamente a Europa (Pires, 1980: 316; Serrão, 1983: 11-21, sobretudo 13), traduzindo-se em ” ‘complexo de inferioridade’ de povo que olha outros povos com consciência da sua inferioridade e com nostalgia da grandeza passada mas, apesar de tudo, ainda com um sentimento de missão, que, mesmo em períodos de crise, parece poder manter-se.” (Pires, 1980: 334). Há que salientar porem, a existência de duas “memórias” (ou paradigmas) na historiografia portuguesa, a liberal-republicana e a tradicionalista, em particular no Estado Novo, que interpretam de modo diverso a história nacional, apontando a decadência em momentos diferentes da nossa historia, de acordo com a sua consonância ou dissonância com esses momentos, e assumindo-se ambas como um factor de regeneração. É o possível enquadrar parcialmente nestas duas memórias as duas principais teses sobre a decadência portuguesa (parcialmente porque, v.g., basta observar as profundas dissensões entre os liberais), a dos “estrangeirados”, que a entrevem no isolamento e são apologistas do cosmopolitismo e da europeização, e a dos nacionalistas ou “castiços”, que consideram a dependência externa a causa da decadencia (desnacionalização), apelando a revalorização das tradições nacionais como factor de regeneração. Em qualquer desta perspectivas, porem, particularmente desde a Geração de 70, Portugal perde-se constantemente no “Labirinto da Saudade”: ” A cisão entre o Portugal real e o Portugal sonhado e exigido, torna-se forma mental e e elevada a uma espécie de dignidade ontoI6gica.” (E. Lourenço, 1978: 70).
(12)- Ha em Portugal um profundo conflito em torno da identidade nacional que se trava desde o inicio da sua construção como estado – nação moderno, com a revolução liberal, que resulta da luta pela legitimação histórica travada pelos liberais da primeira geração e os defensores da monarquia absoluta. Aqueles centram-se na visão herculaniana duma Idade Media idealizada e onde reinava a liberdade, e na busca garrettiana do espírito popular na nossa poesia primitiva, e estes radicam as origens da tradição nacional a partir da emergência da Monarquia Absoluta, exaltando a mitologia imperial e o cicio da epopéia.
(13)- Não e por acaso que Eduardo Lourenço recrimina a “esquerda”, que no 25 de Abril de 1974 “descurou em excesso o sentimento nacional , deixando a futura Direita, após a cómoda hibernação que Ihe ofereceu, a sua exaltada e frenética exploração.” (1978: 66-7). Os movimentos sociais e os partidos que os representam caracterizam-se por discursos particulares e concepções da cultura e da literatura que são na maior parte dos casos funcionalistas (moralismo, didactismo, utilitarismo), relacionando-se interactivamente com os discursos políticos, mas ainda hoje a relação entre a identidade da nação e a da cultura nacional e em geral muito determinista (Matvejevic, 1991: 36-7).
Carlos Manuel Ferreira da Cunha
Departamento de Estudos Portugueses
Instituto de Letras e Ciências Humanas
Universidade do Minho
Campus de Gualtar
4710-057 Braga
E-mail: carmel@ilch.uminho.ptProjectos de Investigação
Elaboração de uma antologia de textos sobre a Nacionalidade e a Literatura Portuguesa.Publicações
(2007) “Silêncios e silenciados na memória das nações”, in MACEDO, Ana Gabriela e KEATING, Maria Eduarda (ed.s), Colóquios de Outono 2005-2006. O Poder das Narrativas, As Narrativas do Poder. Braga: Universidade do Minho/Centro de Estudos Humanísticos, pp. 17-24.
(2007) “As na(rra)ções do poder”, in MACEDO, Ana Gabriela e KEATING, Maria Eduarda (ed.s), Colóquios de Outono 2005-2006. O Poder das Narrativas, As Narrativas do Poder. Braga: Universidade do Minho/Centro de Estudos Humanísticos, pp. 215-21.
(2006) “A literatura como cultura e a cultura como literatura no Portugal oitocentista”, in AGÁLIA. Revista de Ciências Sociais e Humanidades, nºs 87/88, pp. 81-94.
(2000) Os mundos (im)possiveis de Vergilio Ferreira. Lisboa: Difel.
(1999) “Para uma poetica comparativa das Literaturas espanhola e portuguesa”, in Álvarez Palenzuela, Vicente (ed.) (1999), Jornadas de Cultura Hispano-Portuguesa, Universidad Autonoma de Madrid: Facultad de Filosofia y Letras.
(1996) “intenção do autor, interpretação e errância”, Diacrítica, 11 (1996), 139-65.
(1995) “A face do invisível”, O Escritor, 6 (1995), 117-9.
(1994) “Da impossível atopia…”, Diacrítica, 9 (1994), 177-93.
(1994) “Aparição: o espelho e a lâmpada”, O Farol, 5-6 (1994), 17.
(1993) “Narração dialógica e ficcionalização do mundo em Vergílio Ferreira”, Diacrítica, 8 (1993), 73-92.
(1993) “Voz e focalização autodiegéticas em Vergílio Ferreira” (trabalho-síntese no âmbito das PAPCC). Universidade do Minho: ILCH (texto policopiado).
(1993) “A tópica literária e a memória do sistema literário” (relatório-síntese no âmbito das PAPCC). Universidade do Minho: ILCH (texto policopiado).


